11 de out de 2011

COM GREVE DOS AGENTES, TENSÃO CRESCE NAS CADEIAS

A falta de pão e água aquece os ânimos de presos, e agentes penitenciários não descartam possibilidade de motins. Há 60 dias o pão francês que é servido na primeira refeição dos presos dos Centros de Detenção Provisória (CDPs) não são produzidos, denuncia o Sindicato de Agentes Penitenciários do RN (Sindasp-RN). E apesar de a vice-presidente da entidade, Vilma Batista, avaliar que o primeiro final de semana da greve da categoria foi tranqüilo, ela ressalva que essa tem sido uma reclamação recorrente dos detentos e concorda que esse pode ser motivo para retaliação deles. Na manhã da segunda houve uma movimentação na unidade onde funciona o regime semi-aberto do Complexo Penal Dr. João Chaves. O motivo foi a interrupção do fornecimento de água devido a quebra de uma bomba, problema que já havia começado a ser resolvido, garantiu o diretor da unidade, Sidcley Barros. O coordenador de Administração Penitenciária, José Olímpio afirmou que medidas estavam sendo tomadas para reiniciar a produção de pão. Após a paralisação e a permanência de 30% do contingente dos agentes, os serviços essenciais permanecem sendo prestados, conforme havia se comprometido a categoria. Mediante ordem judicial, o CDP da Ribeira recebeu na manhã de ontem, pelo menos, três presos. No semiaberto da João Chaves, um detento foi levado a uma unidade médica devido a fortes dores no tórax. "Estamos vivendo um movimento pacífico, com 100% de adesão da categoria. Mesmo paralisados, levamos a sério o sistema e espero que o Governo também esteja", assinalou a representante da classe dos servidores carcerários. No Centro da Ribeira havia quatro agentes presentes e mais cinco PMs. Os profissionais do sistema prisional trabalhavam em escala. Já quanto aos policiais , uma dupla foi destacada para auxiliar os serviços de escolta na recepção dos presos, condução a carceragem e vigília do banho de sol. Mas devido a presença de115 presos, um dos soldados solicitou o acréscimo de mais companheiros de farda. No local, havia uma viatura da Bernardo Vieira, de onde vinham três PMs. "O comandante [da Polícia Militar] disse que não ia tirar homens da rua pra ficar nas unidades, mas está tirando". O coronel PM Francisco Canindé de Araújo, ratificou que o policiamento das ruas não será prejudicado e que não existe determinação dele para que viaturas saiam de suas rotas para montarem posto fixo em unidade prisional. "O apoio deve ter sido solicitado e um policial desavisado tomou essa atitude, mas a determinação não partiu de mim e nem essa é a instrução dada a eles", assegurou o comandante da PM/RN. O tenente-coronel PM Santos, comandante do 1º BPM, esclareceu que os policiais estavam no local devido a possibilidade de algum distúrbio, uma vez que foram informado da existência de somente um agente e outros três se revezando. "Minha instrução foi de que a viatura das Rocas ficasse fazendo ponto-base, devido a proximidade com o local e a possibilidade de garantir a segurança dos policiais, e, principalmente, da população", complementou.


ALCAÇUZ

No Presídio Estadual de Alcaçuz, um dos agentes informou a equipe de reportagem que não havia feijão para os apenados, somente arroz, macarrão e a "mistura". Os presos, segundo ele, estavam sendo os responsáveis por abrir os pavilhões para irem até o local para banho de sol. "Isso é um risco para os agentes que estão aqui e também existe a possibilidade de fugas". O servidor informou ainda que a revista dos mantimentos por parte dos policiais não estava sendo criteriosa. "Estão deixando passar muita quantidade de comida. O correto são pequenas porções porque quando entra muita coisa, a possibilidade de entrar drogas, armas e outras coisas é grande", destacou.

COAPE

O coordenador da Administração Penitenciária, José Olímpio caracterizou como preocupante a situação do sistema. Na capital, o clima é de relativa calmaria, apesar do episódio no semi-aberto. No entanto, no interior, a realidade inspira mais cuidados. Prova disso foram as reações adversas dos presos em Parelhas e São Paulo do Potengi que estavam se sentindo prejudicados com a greve. Quanto a permanência dos policiais militares em caráter provisório fazendo as vezes dos agentes, Olímpio disse que tal medida será continuada até que haja o regresso da categoria. No tocante a produção dos pães, o coordenador garantiu que iria buscar a resolução do problema e estava entrando em contato com a direção do Presídio Estadual de Parnamirim (PEP) para saber das condições do maquinário e matéria-prima.

Tribuna do Norte.

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